DIÁRIO DE UM MUNDO À PARTE 2 SARNA- A SAGA
14 de abril de 2008
DEPOIS DE TANTAS MAZELAS EM FAMÍLIA, A COISA SAIU PORTA À FORA. A CONTAMINAÇÃO PELA SARNA, ESTÁ SE DANDO PELO BEBÊ DA FAMÍLIA DA PROSTITUTA. A CRIANCINHA TODA SARNENTA (JÁ EM TRATAMENTO), VAI DE COLO EM COLO SEM QUE NINGUÉM SEJA AVISADO. ALASTROU-SE DE TAL FORMA QUE SE VOCÊ RACIOCINAR, VAI DESCOBRIR QUEM PEGOU SARNA PELO BEBÊ E QUEM PEGOU DEITANDO COM A PROSTITUTA. VI GENTE SE COÇANDO COM GARFO. A FARMÁCIA VAI VENDER MUITO POLARAMINE, ESCABIN, REVECTINA E HAJA ÁGUA PARA ESSE POVO SE LIMPAR. JÁ IMAGINOU UM BAIRRO INTEIRO CHEIO COM SARNA? É O INFERNO TOTAL.
PARA MELHORAR A ESTIMA DOS SARNENTOS, ESTOU ENSINANDO REGRAS DE LIMPEZA E INCENTIVANDO A IDA AOS POSTOS DE SAÚDE PARA QUE POSSAM SE CURAR. E COMECEI A INSCRIÇÃO PARA UM TORNEIO DE PIÃO (escreve-se pião mesmo). QUEM SABE, NA DISPUTA DOS PIÕES NÃO ACONTEÇA O MILAGRE DA EDUCAÇÃO?
PARA ILUSTRAR, VAI UMA ENTREVISTA QUE O DR. DRÁUZIO VARELA FEZ COM O MÉDICO DERMATOLOGISTA VÍTOR MANOEL SIVA DOS REIS, FALANDO SOBRE ESCABIOSE (SARNA).
Dr. Vitor Manoel Silva dos Reis é médico dermatologista do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro permanente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Escabiose
Drauzio – A escabiose conhecida popularmente como sarna, é um tipo de infestação parasitária da pele que se manifesta em todos os estratos sociais, embora muita gente pense que apenas ocorra em ambientes onde não haja higiene adequada.
Vítor dos Reis – A escabiose é causada pelo Sarcoptes scabiei , um ácaro que gosta muito da pele humana ( imagem 1 ). Ele se alimenta da queratina, a camada superficial da pele que descama, isto é, da casquinha da pele. O acasalamento se dá na pele do hospedeiro. O macho morre em seguida, mas a fêmea penetra na pele através de pequenos túneis para depositar seus ovos, que eclodem duas semanas depois e liberam de seis a dez parasitas cada um.
A escabiose é uma infestação altamente contagiosa que provoca muita coceira. Conhecida milenarmente, sabe-se que todos os moradores de rua, na Idade Média, tinham sarna.
Drauzio – Onde existem aglomerações humanas – exércitos, hospitais, presídios – a sarna existe.
Vitor dos Reis – A sarna é característica de indivíduos com má condição de higiene ou que usam muitas vezes a mesma roupa. Como o parasita sobrevive fora da pele durante algumas horas ou alguns dias, dependendo de certas circunstâncias favoráveis (temperatura, tipo de fibras do tecido, etc.), a transmissão da doença pode ocorrer por roupas de pessoas infectadas ou em poltronas e cadeiras onde o ácaro sobreviva.
Drauzio – Como são as lesões típicas da escabiose?
Vitor dos Reis – São pequenas lesões eritematosas elevadas, chamadas pápulas, que formam uma crosta, provocadas pelo ato de coçar a região infectada. A imagem 2 mostra uma lesão de escabiose localizada na mão, que é a grande veiculadora do ácaro pelo corpo. Quando presentes entre os dedos ou debaixo das unhas, o parasita é levado para a região genital, do abdômen e da axila, por exemplo.
Drauzio – Essas lesões podem ser confundidas com muitas outras, especialmente com as provocadas por processos alérgicos. Para ter certeza de que é escabiose, os dermatologistas precisam verificar como elas se distribuem pelo corpo. Quais são os locais que merecem atenção especial?
Vitor dos Reis – É preciso ter uma visão geral do corpo, mas as lesões acometem mais a região da face anterior do tórax e mãos e, especialmente, situam-se entre os dedos. Nos homens, a área dos genitais também costuma ser atingida. No caso de dúvida quanto ao diagnóstico, uma escarificação na pele permite retirar uma amostra para exame laboratorial, porque o ácaro é perfeitamente visível no microscópio.
Drauzio – A transmissão da escabiose ocorre sempre entre seres humanos ou ocorre também a transmissão por animais?
Vitor dos Reis – Essa pergunta todos os pacientes fazem. Imagino que a pessoa queira atribuir a causa da escabiose a animais de estimação que normalmente se coçam muito.
O Sarcoptes scabiei , causador da sarna, é um parasita do ser humano, transmitido de uma pessoa para outra. Embora a doença exista em outros animais – galinhas, gatos, cachorros -, e os homens possam pegar, ela não é importante, pois cura espontaneamente.
Drauzio – Quando aparece um caso de escabiose na família, quais os cuidados necessários para evitar a transmissão da doença?
Vitor dos Reis – O ideal é tratar simultaneamente o indivíduo com escabiose e todos os contactantes, mesmo que não pertençam à sua família. Ou seja, namorados, amigos ou qualquer outra pessoa com a qual o paciente possa entrar em contato íntimo também devem receber tratamento.
Escabiose é uma doença urbana, do cotidiano. Daí a importância de tratar os contactantes mesmo que não se queixam de coceira.
Drauzio – Qual é o período de incubação do parasita?
Vitor dos Reis - O período de incubação, que vai do momento em que o ácaro penetrou na pele até a manifestação do primeiro sintoma, a coceira, pode variar entre 24 horas (se a pessoa já foi infectada) e 24 dias (se nunca foi infectada). Por isso, todos os contactantes precisam ser tratados ao mesmo tempo. Caso contrário, a escabiose vira um verdadeiro pingue-pongue. Um trata e melhora, enquanto o outro, que estava no período de incubação, desenvolve a doença, infecta o que estava curado e assim sucessivamente.
Drauzio – Em que consiste o tratamento da escabiose?
Vitor dos Reis – O tratamento é feito com escabicidas, ou seja, inseticidas para matar o ácaro sem danificar a pele. O remédio deve ser aplicado na pele do corpo inteiro, com exceção do nariz e do couro cabeludo. Deve ser passado, portanto, da orelha para baixo até os pés e especialmente nas mãos. O esquema de tratamento pode variar. Alguns medicamentos são usados uma única vez, à noite, aplicação que deve ser repetida depois de uma semana, dez dias, tempo necessário para eclodirem os parasitas que estavam dentro dos ovos e não morreram. Outros são usados três dias seguidos e depois de uma semana, dez dias repete-se a aplicação pelo mesmo motivo. Atualmente, já podemos contar com medicamentos eficazes por via oral.
Drauzio – Os médicos preferem indicar o medicamento tópico, que deve ser passado pelo corpo todo, ou o medicamento por via oral?
Vitor dos Reis – Atualmente, a tendência dos dermatologistas é indicar o tratamento oral. Eu prefiro começar pelo tratamento tópico, porque não sabemos, ainda, se o ácaro causador da escabiose vai desenvolver resistência contra essa droga.
Drauzio – O tratamento oral também é feito com dose única?
Vitor dos Reis – Com dose única que pode ser repetida depois. São dois comprimidos tomados de uma vez só e muito eficazes.
Drauzio – Que cuidado se deve tomar com as roupas nos casos de escabiose?
Vitor dos Reis – Antigamente, tomava-se muito cuidado com as roupas, que eram fervidas para evitar a recontaminação. Hoje, particularmente, recomendo cuidado, mas não tão intenso como no passado. O aquecimento nas máquinas de lavar que, em geral, funcionam com água quente, e a facilidade em passá-las a ferro, é suficiente para evitar que o parasita sobreviva na roupa para reinfenstar a pele do usuário. De qualquer forma, as roupas devem ser separadas, até para que o ácaro morra, inclusive de fome, longe da pele das pessoas.
Drauzio – Tive uma experiência grande com escabiose no Carandiru. Quando aparecia alguém com a doença, todos os companheiros de cela precisavam ser tratados para evitar a volta da lesão.
Vitor dos Reis – Embora a escabiose seja uma doença característica de indivíduos com más condições de higiene, há casos de escabiose em indivíduos com higienização muito boa que não sentem muita coceira. Mesmo esses devem ser tratados, porque são portadores do parasita transmissor da doença.


Comentário por Maicon — 20 de maio de 2008 (3:11)
Mônica , eu peguei o bebê , quando fiquei sabendo da epidemia , atirei o bebê no sofá…
Antes que apareçam os sintomas já tomei diversos banhos de escabim. Se eu pegar sarna , que fique claro eu não peguei a PROSTITUTA.